(a)notações-paisagem

Sob a curadoria de Karina Dias, (a)notações-paisagem reúne uma série de trabalhos do brasiliense Matias Monteiro e explora os trajetos possíveis para uma geografia percebida, que se apresenta por meio das noções e apropriações de espaço do artista. Com nuvens de espuma sintética, folhas de tecido e desenhos em papel vegetal, a exposição propõe ao visitante que conheça um mundo lúdico, rico em detalhes, porém, composto de elementos de natureza precária e pertencentes, originalmente, a outros ambientes.
Nesta mostra, o principal elemento de interação proposto é o olhar, que se torna uma ferramenta de compreensão e uma exigência para que a paisagem apresentada perdure ao longo das identificações e especulações de cada obra. Assim, os cenários criados por instalações e esculturas acabam gerando espaços extraordinários, compostos por lembranças pertencentes à infância e retratados em uma espécie de fábula, que sem nuances românticas ou dóceis dá lugar às angústias e incômodos do ambiente natural.
(a)notações-paisagem
Abertura: 10 de novembro de 2011, às 19 horas
Visitação: de 11 de novembro a 23 de dezembro de 2011
De segunda a sexta-feira das 10h às 19h. Aos sábados, das 14h às 18h.
Visitas orientadas: durante todo o período da exposição, podendo ser agendadas pelo telefone (61) 3316-5221
Local: Espaço Cultural Marcantonio Vilaça – Ed. Sede do Tribunal de Contas da União (SAF Sul Quadra 4 lote 1)
CadaVer MAM- 2011

PROJETO PAREDE | MAM 2011 - abertura 14 de julho a 18 de dezembro.
Todos os dias 52 artistas e suas expressões múltiplas se revezam desenhando uma obra viva de composição livre
O público pode acompanhar o trabalho de criação de diferentes artistas a cada dia a partir do dia 14 de julho (quinta-feira), no corredor do MAM-SP
Um desenho coletivo a ser realizado dia-a-dia por um artista diferente é o segundo Projeto Parede de 2011. Os 52 artistas do grupo cadaVer vão se revezar durante os 136 dias de duração da nova edição do projeto do Museu de Arte Moderna de São Paulo, que ocupa com uma intervenção artística o corredor de acesso à sua Grande Sala. Na abertura, no dia 14 de julho (quinta-feira), a partir das 20h, já haverá na parede o início do trabalho feito pelo artista Diogo Machado.
Não há temática pré-estabelecida para o desenho, apenas o material a ser utilizado: canetas hidrográficas, a nanquim e para apagar. Isso porque os artistas, além de acrescentar novos traços ao desenho já criado, poderão apagar trechos já desenhados antes.
A ideia do novo Projeto Parede, que nunca apresentou um work in progress desde seu início, em 1996, é aproximar do público o trabalho de criação do artista. Qualquer espectador que comparecer ao MAM entre 14 de julho e dezembro terá a oportunidade de observar o artista em pleno processo de realização da obra, trazendo o ateliê para dentro do museu.
Artistas do grupo cadaVer:
AnaPana | André Érnica | Andre Simmank | Andréa Barbour | Angela Barbour | Caio Formiga | Carola Trimano |
Chris Flaksbaum | Claudhia Issa | Claudio Matsuno | Claudio Rocha | Conrado Zanotto | Cris Rocha |
Daniel Nogueira de Lima | Diogo Machado | Fabio Quaglio | Flavia Mielnik | Gilberto Vançan | Jadde Flores |
James Kudo | Kako | Kika Levy | Laura Gorski | Lia Vainer Schucman | Lorenzo Leon | Lucas Schlosinski |
Luciano Ogura | Luis Felipe Machado Dib | Magy Imoberdorf | Manu Maltez | Maraí Senkevics |
Maria Fernanda Filardi Ferreira | Maria Valentina | Matias Monteiro | Maurício Parra | Nathan Tyger | Nicholas Petrus |
Nilson Sato | Nina Kreis | Paulo Queiroz | Pedro Augusto Romero Malevini | Pedro Almeida Farled | Rafael Baravelli |
Regina Carmona | Roberto Miura | Rodrigo Lobo | Sérgio A. Kal | Thais Beltrame | Tony de Marco | Vadim Klokov |
Wilton Pedroso | Yasmim Flores
http://grupocadaver.blogspot.com
SERVIÇO
Projeto Parede grupo cadaVer
Visitação: 14 de julho a dezembro de 2011
Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo – corredor de acesso à Grande Sala
Endereço: Parque do Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3)
tel (11) 5085-1300
Horários: Terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)
ENTRADA FRANCA
Agendamento gratuito de visitas em grupo pelo tel. 5085-1313 e email educativo@mam.org.br
Site: www.mam.org.br
Estacionamento no local (Zona Azul: R$ 3 por 2h)
Acesso para deficientes
Restaurante/café
Ar condicionado
Mais informações:
contatocadaver@gmail.com

Mirada Desobediente- Do pueril ao infantil
Exposição Mirada Desobediente- Do pueril ao Infantil
Galeria Parangolé. Espaço Cultural 508 sul.
de 22 de dezembro de 2010 a 25 de fevereiro de 2011
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Artistas:
Allan de Lana
Clarice Gonçalvez
Eduardo Belga
Gabriela Starling
Gê Orthof
Laurem Crossetti
Luciana Paiva
Miriam Araújo
Ruth Sousa
Sarah Wero
Virgílio Neto
Waleska Reuter
Yana Tamayo
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Curadoria:
Matias Monteiro
Projeto Expográfico:
Matias Monteiro
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Produção:
Luciana Paiva, Espaço Cultural 508 sulWaleska Reuter/ Ruth Sousa
A Vida Interior dos Objetos Inanimados

Ao conjugar elementos que nos remetem a brincadeiras infantis em Re-trato I, às vezes eu me lembro..., Matias Monteiro parece nos submeter a este teste de realidade reconstituindo a memória longínqua de algo que nos parece mais um sonho. A forma antropomórfica obtida ao “vestir” uma mesa, como meninas fazem com suas bonecas ou consigo mesmas experimentando as roupas da mãe é justaposta a peças de casinhas de um conjunto usualmente direcionado para meninos que os pais supõem “futuros engenheiros” em uma duplicação de gênero em um objeto que personifica lembranças remotas. O jogo de tornar-se adulto na infância torna-se um jogo de supor-se novamente criança ao olharmos para a imagem deste objeto-personagem cuja presença atordoa nossos sentidos, gerando certa expectativa de movimento semelhante àquela que tínhamos com nossos brinquedos.
Luciana Paiva 2006.
Matias Monteiro- Objetos Instalações, desenhos
Matias Monteiro constrói as peças para um jogo de memória, resgatando de um plano muito introspectivo os seus códigos de trabalho. Seus objetos e desenhos são chaves de acesso a um lugar de fundo, um espaço anterior, conceituado na idéia de infância como condição socialmente partilhada. Com isso, propõe para todos nós um universo em comum e uma origem desconfortável, gerando o constrangimento de uma constatação: houve um tempo em que sabíamos. Confirma a dor do adulto ao fazer-se nesse abandono.
A singeleza de seus pertences busca valor em um complemento não materializado pela obra, dependente dos olhos visitantes e da memória que os confronta. Suas garatujas riscam um plano posterior de nossos cérebros, um lugar atrás, se aceitarmos como lógica a sua construção por um adulto.
Sabemos que Jung [1] exercitava acessos aos componentes do inconsciente por meio de exercícios autistas de repetição pendular e jogos com cubos de alfabetos. Já era um homem velho, mas não abria mão de retornar a si mesmo e usava objetivamente esses expedientes como chaves de acesso.
Matias Monteiro conforma suas chaves em arte, associando-as a conteúdos de densidade poética, complementando linguagem e meios em um jogo perigoso e agressivo. Para tanto, usa elementos reconhecíveis, singelos e cotidianos, já socialmente codificados, formadores da cultura simbólica com que construímos nossa sensibilidade. Seus objetos atestam uma condição adquirida e irrevogável, permitindo nosso percurso entre corpos, idades, sexualidades e sentimentos diferentes.
Ao bordar uma rede de ligações afetivas entre objeto e sujeito, chama-nos a olhar para dentro e coloca-nos lá, na intimidade do espaço da reminiscência, experiência, abnegação e redescobrimento.
Belidson Dias
Artista plástico, Professor Dr. Artes Visuais
Ralph Gehre
Artista plástico
Setembro de 2006
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[1] Carl Gustav Jung, 1875-1961, médico e psiquiatra suíço, teórico da psicanálise
A Leitura como Percurso
Luciana Paiva e Matias Monteiro
2005
leitura 1: como busca
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Se ler é uma jornada, a leitura se sugere então como busca. Mas o que busca o leitor?
Busca seu lar.
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A busca ao lar é fadada ao fracasso.
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O leitor busca uma palavra que possa habitar
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O leitor busca seu nome próprio, quer habita-lo.
O nome próprio desgarrado nos é estranho - por vezes repulsivo (Jean Cocteau). Não deixa, no entanto, de nomear-nos.
Meu nome é outro; não coincide com os nomes de meu pai ou de meu avô.
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meu nome é outro, não coincide com o do meu pai ou do meu avô.
Matias Monteiro. Nanquim sobre papel. 2005.
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O ato da leitura não descreve um nomadismo.
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A leitura é sempre o percurso de um ser sedentário que busca a morada perdida, que procura fixar residência... A palavra que o nomeará. Mas que nunca encontra.
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Ler é ter/estar perdido
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Perdido o lar-nome.
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leitura 2: como descrição de movimento
Um deslocamento é descrito como um percurso entre dois pontos distintos. Se o ponto de chegada coincide com o ponto de partida, diz-se que o deslocamento foi nulo.
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A leitura se dá, no mais fisiológico dos níveis, enquanto movimento. Nossos olhos percorrem incessantemente o mundo, com grande agilidade.
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A qualquer movimento associamos uma grandeza chamada velocidade, para medir a variação da posição do objeto no tempo.
Velocidade positiva: indica que o objeto está caminhando a favor da orientação positiva da trajetória.
Velocidade negativa: indica que o objeto está caminhando contra a orientação positiva da trajetória.
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A leitura, conforme a tradição ocidental se dá da esquerda para a direita.
(descreve um “não”)
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O olhar atinge o mais íngreme dos pontos, o leitor é tomado por uma vertigem. Ele sente o desequilíbrio, pressente a queda, e então corre novamente ao ponto de partida.
“Ponto, parágrafo”.
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A leitura pressupõe risco.
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O olhar do leitor refugia-se em um ponto que quase coincide com seu ponto de partida.
Em sua rota de fuga, o olhar sugere uma leitura invertida que nunca se concretiza.
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O virar da página nada mais é que uma nova representação dessa quase coincidência de retorno...
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leitura 3: como um rio
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E se eu for rio, faço questão: bifurco, ramifico, divido. Duvido que chegue ao mar.
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Todos os afluentes desmentem o rio.
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leitura 4: como fantasma
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Ler, ler não tem nada haver com o texto.
O texto é só meu pre-texto para ler.
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Minha leitura antecede as desculpas
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A poesia não responde a nada
A poesia é o exercício lingüístico da questão.
A poesia reconhece o vazio que se encerra na palavra, reconhece na palavra o que ela tem de oca.
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Só pode apreciar a escrita aquele que crê em fantasmas. Só pode apreciar uma obra-situação, aquele que crê na materialidade dos espectros.
Desvendar o fantasma é inevitavelmente render-se a morte; rendem-se a morte aqueles que procuram o que no mágico há de truque. Não crêem em fantasmas, que dirá nos ectoplasmas que os constituem.
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Se ler é uma jornada, a leitura se sugere então como busca. Mas o que busca o leitor?
Busca seu lar.
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